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Sexta-feira 13 - meu dia de sorte!
Para muitos, o número 13 é tido como sinal de infortúnio. Para a minoria, como sinal de bom agouro. Ontem, sexta-feira 13, dia em que as mais variadas superstições imperam – prevendo o mal que a data concede - foi o dia designado por mim como: especial. Após uma série de mudanças, todas muito necessárias e bem-vindas, quero pensar que hoje vivo uma espécie de recomeço. O texto a seguir foi escrito no dia 15 de abril de 2004. No momento, ainda que as palavras fossem muito verdadeiras e fizessem sentido, eu não havia me despertado para a transformação e para o meu crescimento. Mas acho que este é o momento certo para publicá-lo e dizer que optei por me libertar de tudo o que me afligia, me enfraquecia e me tornava impotente diante do que eu realmente gostaria de ser e de fazer. Boa leitura a todos!
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Não me lembro em que momento percebi que viver requer muito mais do que o desejo excepcional pela vida. Talvez tenha descoberto isso ainda na tenra infância, ao passar por alguma desaprovação, algum desgosto, ou mesmo, por algum anseio frustrado – por mais ínfimo que tenha sido. Recriar-se e optar por uma decisão que não seja unânime e simpática à maioria das pessoas, pode – às vezes - trazer duras e inesperadas conseqüências. Questionar, garanto, é saudável e preciso. Permitir-se a errar, sem se entregar à melancolia da incerteza, e crescer, ou simplesmente descobrir outros rumos, é ato considerável e legítimo. Se há alguma coragem, eleger a resposta menos óbvia, quando assim necessária, pode ser compensador amanhã ou depois. Hoje, uma ou várias pessoas podem lhe virar as costas, emitir comentários maldosos – travestidos de conselhos de quem lhe quer bem – criticar sua fragilidade diante das novas situações, protestar contra o seu silêncio e se ausentar até quando a poeira baixar. Tente não enxergar isso como uma ameaça e, sim, como uma lamentável mediocridade. Parece fácil, e às vezes, o é. Experimente, ao menos uma vez na vida, pensar apenas na sua felicidade. Apenas nela. Promova uma reforma. Em casos menos graves, um reparo pode ser eficiente. Lembre-se de que algumas reformas duram anos e solicitam de você muita compreensão e tolerância. Portanto, mãos à obra. Se de acordo com o seu conceito, viver de verdade exige uma mudança – radical ou ponderada - mude. Não esqueça, mas coloque a sua reputação em segundo, em terceiro, ou em quarto plano. E fuja, o quanto puder, de pessoas que se abdicaram da própria felicidade e do bem-estar físico e emocional em nome da glória e do prestígio. Com um pouco menos de desprendimento, libertar-se pode ser tarefa prática, ao invés de ser essencialmente teórica. Sempre me impressionou essa capacidade de recomeço do ser humano. Vivendo ainda com intensidade os conflitos e dúvidas advindas de escolhas e decisões recentes, sinto-me na obrigação de dizer que chutar o balde – ainda que timidamente - pode lhe conceder o momento de maior aprendizagem de toda a sua vida. Por fim, prometo a mim e aos que me querem bem – muitos, aliás – que felicidade a partir de agora é um caminho a ser percorrido. E se para isso for preciso recomeçar a cada dia, mãos à obra.
Rê contou sua estória às 15h28
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O número 13
Símbolo de desgraça, já que 13 eram os convivas da última ceia de Cristo, e dentre eles, Jesus que morreu na sexta-feira foi, conseqüentemente, ligada ao horror que o número 13 provocava nas gerações cristãs. Por isso, muitas pessoas evitam viajar em sexta-feira 13, a numeração dos camarotes de teatro omite, por vezes, o 13, em alguns hotéis não há o quarto de número 13 – este é substituído pelo 12-a. Muitos prédios pulam do 12º para o 14º andar temendo que o 13º traga azar. Há pessoas que pensam que participar de um jantar com 13 pessoas traz má sorte porque uma delas morrerá no período de um ano. A sexta-feira 13 é considerada como um dia de azar, e toma-se muito cuidado quanto às atividades planejadas para este dia.
Como se vê, a crença na má sorte do número 13 parece ter tido sua origem na Sagrada Escritura. Esse testemunho, porém, é tão arbitrariamente entendido que o mesmo algarismo, em vastas regiões do planeta – até em países cristãos – é estimado como símbolo de boa sorte. O argumento dos otimistas baseia-se no fato de que o 13 é um número afim ao 4 (1 + 3 = 4), sendo este símbolo de próspera sorte. Assim, na Índia o 13 é um número religioso muito apreciado, os pagodes hindus apresentam normalmente 13 estátuas de Buda. Na China, não raro os dísticos místicos dos templos são encabeçados pelo número 13. Também os mexicanos primitivos consideravam o número 13 como algo santo, adoravam, por exemplo, 13 cabras sagradas. Reportando-nos agora à civilização cristã, lembramos que nos Estados Unidos, o número 13 goza de estima, pois 13 eram os Estados que inicialmente constituíam a Federação norte-americana. Além disso, o lema latino da Federação, “E pluribus unum” (de muitos se faz um só), consta de 13 letras, a águia norte-americana está revestida de 13 penas em cada asa.
Fonte: Que dia é hoje?
Rê contou sua estória às 13h25
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Chorinho para o amor
Há dez meses, suponho, Susana começava a notá-lo. Tímida de dar dó, ela lhe olhava meio de lado, ouvia calada o que ele tinha e o que ele não tinha a dizer e tremia de vergonha quando ele se sentava à sua frente. Na maioria das vezes, conversavam sobre coisas comuns, outras vezes bastava ele pronunciar um oi para o dia se encher de poesia. Susana sabia que, naquele momento, era importante adquirir certa ousadia e se revestir de uma força que nem ela devia reconhecer. Apesar de toda sua dureza diante da circunstância, a vida lhe foi solidária, tratando logo de resolver a questão. Um dia, sei lá quando, ele colocou uma cadeira ao lado de onde Susana se sentava, encostou a cabeça em seu ombro direito e disse: “A vida tá tão difícil.” Penetrados no silêncio que ali se formara, ambos tentavam, mas, era inútil ignorar que naquele dia, sentiram, imediatamente, que alguma coisa tinha acontecido de muito fundamental na ordem do mundo. Seu peito se encheu de uma alegria contagiante, e se a timidez tivesse lhe deixado por alguns instantes, ela, certamente, teria dito à sua revelia, alguma coisa de Vinicius, de Neruda, ou de Maiakovski. Quem sabe, transformasse “Chorinho para a amiga”, do Poetinha, em “Chorinho para o amor”. Talvez ele se emocionasse com um pouco da crônica que fora alterada apenas para o momento. E se encantasse de vez com os dizeres de Susana:
“Se fosses louco por mim, ah eu dava pantana, eu corria na praça, eu te chamava para ver o afogado. Se fosses louco por mim, eu nem sei, eu subia na pedra mais alta, altiva e parada, vendo o mundo pousado a meus pés”.
Na ocasião, alguém lhe trouxe a verdade e Susana, pretensiosa ou não, soube de tudo. Ele era o seu amor. Passaram-se tantos meses desde aquele dia, e, hoje, mais juntos do que nunca, o tempo mostrou que Susana tinha razão. Relendo um texto antigo – acho que ela o escreveu há quatro anos, pelo menos – achei divertidíssimo o trecho: “(...) posso ficar horas divagando sobre filmes, Guimarães Rosa, Charles Chaplin ou as congruências do amor”. A modéstia já valeria a pena. Mas o melhor, agora, é saber que ela dizia que poderia ficar horas divagando sobre Rosa, mas ainda não havia lido Grande sertão: veredas. Seria interessante lhe ver falar sobre ele durante tanto tempo sem citar essa obra. Sobre as congruências do amor, então, nem se fale. Que diabos Susana entendia sobre o amor até pouco tempo atrás? Noutros textos ela ainda falou incansavelmente sobre o amor e a necessidade de ter alguém para compartilhar as alegrias e tristezas. É surpreendente saber que ela parou com a filosofia eternizada pela letra de Cazuza:
“Você sonhava acordada / um jeito de não sentir dor / prendia o choro / E aguava o bom do amor”.
Susana, pelas minhas próprias considerações, já se desfez de vários pedantismos por causa dele. Falam sobre sentimentos, medos e inseguranças, o que é maior sinal de intimidade. Alguém a disse certa vez: “Não procure querer conhecer seu futuro antes da hora, nem exagere em seu sofrimento. Esperar é dar uma chance à vida para que ela coloque a pessoa certa em seu caminho”. Mais uma vez, no auge de mais uma de suas pretensões, Susana lembrou que sabia de tudo. E com a insólita modéstia dos apaixonados, ela reconheceu: “Nossa ligação é para a vida toda!”
Rê contou sua estória às 00h12
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Se pode dar errado, dará
Situação 1: Saio de casa pela manhã depois de uma noite extremamente mal dormida para fazer exame de sangue. Chego ao laboratório, sou prontamente atendida, esqueço o pedido do exame, mas prometo providenciá-lo o mais rápido possível. Retorno a minha casa, pego o pedido, a carteira de identidade e a carteira do convênio médico e peço ao funcionário da minha mãe para que leve a papelada até o laboratório.
Situação 2: No caminho, o rapaz perde a carteira do meu convênio médico.
Situação 3: Pela falta do documento, meu exame de sangue é invalidado.
Situação 4: Vou à Cidade Industrial – lugar de péssimo trato - com o intuito de tirar meu atestado de bons antecedentes. Às 11h30, sou comunicada de que o respectivo serviço só é realizado das 8 às 10 da manhã. Saio da fila, sob um sol escaldante, completamente desolada.
Situação 5: Vou ao shopping para comprar um novo celular. Escolho o aparelho, converso com o vendedor, tiro todas as minhas dúvidas quanto ao aparelho e plano. Penso: “Ótimo! Isso vai dar certo.” Abro minha bolsa e constato que minha carteira – a que contém cheque e cartão de crédito – estava dentro de outra bolsa. Obviamente, a que eu não estava usando no momento.
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Não foi nada, Rê.
É apenas a Lei de Murphy dando o ar da graça e reforçando seu lema: “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível.”
Rê contou sua estória às 13h41
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A moça no escuro
Era uma agonia que ela suportava. De dia, era tudo diferente. A casa se embelezava, a felicidade não era nem de longe clandestina, nem secreta. Era sentida como uma cólera que a tomava por inteira. Cada dia o sol custava menos a morrer. Depois que ele se punha e a penumbra começava a tomar seu rumo próprio, ela ficava a reverberar por um tempo indeterminado. E quando suas idéias já não tinham mais pra onde ir, ela se afastava do alpendre, como se lá a secura da noite a atingisse com mais força. Na cama, avisando a si própria que era hora de dormir, a miséria a envolvia, tal qual um manto materno. Ela, então, tornava-se insondável e vulnerável a qualquer passo um pouco mais insurgente. De nada adiantava ter sido forte durante o dia. A quietude de seu corpo acompanhava o silêncio do desmedido negrume, que por sua vez, mantinha-se livre por todos os cantos. Parecia-lhe uma injúria, mas, todo o desconforto se dissolvia com o vigor da manhã. E antes que a sombra a cobrisse com seu irremediável enigma, ela, mais uma vez, repetia para si mesma: “A noite é para os grandes. Quem me dera tê-la como cúmplice!”
Rê contou sua estória às 10h34
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Para daqui a pouco
Adoraria escrever um bom texto – para na falta de bons ensejos – pelo menos celebrar o ótimo final de semana e seus respectivos acontecimentos. E só não o faço porque esqueci meus óculos na casa do meu namorado. E sei que se eu tentar, a dor de cabeça não vai dar trégua por uma semana, no mínimo. Só adianto, caros leitores, que as idéias estão borbulhando. Escreverei, em breve, sobre a peça Cócegas, sobre a pizza do Dona Derna, sobre o Italian Style, do Eddie, sobre os filmes Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças e Fahrenheit 9/11, e sobre tudo o mais que me chamar a atenção. Foi difícil chegar até aqui sem meus guardiões oculares, mas prometo não ficar ausente por muito tempo. Boa semana pra todos!
Rê contou sua estória às 21h44
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Pisciana nascida no dia 15 de março. Dizem os astros que alguém assim mistura uma pitada de cada um dos onze signos anteriores. A infantilidade de áries, a sensualidade de touro, a suscetibilidade de câncer, a maleabilidade de gêmeos, a magnanimidade do leão, a acuidade de virgem, o mimetismo de libra, a sagacidade do escorpião, a benevolência de sagitário, uma certa reserva própria de capricórnio e uma tendência a desligar típica de aquário. Mas pensando bem, apesar de encontrar certa veracidade na compreensão zodiacal, é muita confusão para uma cabeça só. Tudo bem que eu possa parecer tão complexa vez ou outra, mas em geral, não sou um bicho de sete cabeças. O ar melancólico e o olhar vago já falam por si só. Nessas horas, preciso de silêncio e concentração. Nas outras, o sorriso largo e pra lá de sincero convida para um momento mais extrovertido. Para quem apreende facilmente os meus momentos, já é meio caminho andado. Não sou de lua e nem inteiramente constante. Devo estar no meio-termo, se é que isso se faz possível. Espelho-me nos meus pais, na genialidade de Drummond e Clarice, na poesia de Vinicius, na bossa de Tom, e nas pessoas que de alguma forma contribuíram para que eu fosse um pouco melhor hoje. Essa sou eu. Muito prazer! Fique à vontade, tá. Ah, meu nome? Renata! Mas pode me chamar de Rê...
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