Sonhos e Reformas

Estou com certo receio de soar piegas, numa espécie de era-bom-ser-criança. Não apenas por falar de amor, mas por se tratar de algo ainda em suspense, ainda por acontecer, ainda em... Perdão! Quero dizer, estou com medo de soar cafona. Cafona? Que palavra mais antiga! Talvez mais estranha do que antiga. Acordei que sonhava e sonhava que tudo ficava muito melhor quando estamos na fase apaixonada e apaixonante de enviar girassóis, sonetos de Vinicius e coisas gastas, mas inéditas por um momento. Quero dizer, imagens já tão usadas pelo imaginário romântico (piegas e cafona com um orgulho que só ele entende). Ele? Sim, o imaginário. Mas a verdade é que sempre que dou festas pra alguém dentro de mim, sinto-me liberta e emancipada de sentimentos caóticos.

E aí penso: eu queria arrumar a casa antes de um novo amor chegar. Pintar algumas paredes. Mudar os quadros de lugar e comprar aquele lindo que fez aniversário num antiquário perto de casa. Forrar o sofá com uma capa azul escura. Trocar de lugar a cadeira antiga que fora dada pela bisavó portuguesa, pouco antes de morrer. Comprar móveis novos para cantos tristes e vazios. Lírios ou Bétulas? Talvez orquídeas brancas. Ah, é verdade! Preciso comprar taças. Sim, elas são importantes nessas ocasiões em que o coração - piegas e cafona - resolve festejar. Que elas sejam de um fino cristal ou um vidro igualmente fino que o imite, se possível. Novas opções de entrada, prato principal e sobremesa podem ser importantes. Vinho! Claro, o vinho é imprescindível. Um gole após aquele silêncio estridente não soará como um exagero? Ou seria apenas insegurança? Guarde um pouco para o estalar daquele segredo que obviamente nunca foi segredo. “Você nem desconfiava?” “Não!” “Não?” “Não!” “Hummm!”. Não se preocupe! O cinismo se fará presente.

 

(...)

A campainha tocou.





Rê contou sua estória às 22h11

[   ] [ envie esta mensagem ]




O Mundo de Aline

Segundo Aline, a internet foi sua salvação. As noites só não eram inteiramente sem graça porque a magia da internet transmutava o pequeno apartamento da capital goiana em palácio de mil e um aposentos. A moça de 22 anos tornou-se habitué desses saraus virtuais, que reúnem pessoas espalhadas pelos mais díspares rincões - em uma conversa aprazível como se estivessem todos face a face - há mais de quatro anos.

A jovem contou-me, recentemente, que há um ano e meio coleciona três personagens. “Todas frutos da minha imaginação”, enfatiza com orgulho. São elas: Sophia Negrão de Lima Kowalski, Karina Andrade Ferreira e Joanna Torres Brandão. Sabendo que todas elas já tinham sido apresentadas no espaço das ilusões, perguntei-lhe: “Qual sua personagem preferida?” Aline respondeu sem pestanejar: “Sophia!” Nessas suas incursões pelo mundo dos solitários em busca da alma gêmea fugidia, Aline gerou uma personagem que, para o seu erro, possuía encantos. Entretanto, era perfeita demais para ser verdade. Travei conhecimento com Aline e, por pura curiosidade, fui atrás de Sophia Kowalski.

Antes que a conversa se estendesse, desejava compreender a origem do sobrenome Kowalski. De acordo com as explicações de Aline, os idiomas da Eslovênia usam vários sufixos para formar sobrenomes. Seguindo este costume, o idioma polonês - a partir da palavra Kowal, que significa ferreiro - acrescentou numerosos sufixos à palavra inicial, originando assim os sobrenomes mais comuns: Kowalski, Kowalik, Kowalewski, Kowalak, Kowalka e Kowalkowski.

Sophia, que em grego significa sabedoria, é linda, jovem, inteligente, rica e feliz. As pessoas que a encontravam nas salas de bate-papo apaixonavam-se em segundos. Histórias que iam desde uma caminhada pelas ruas de Madri até uma conversa divertida com a cantora Alanis Morissette, em Londres, eram sinônimos de espanto e deslumbre. Antes de enumerar suas características aos apressados do cafofo cibernético, Sophia já surpreendia pela sua escrita sofisticada.

Como sabemos, a internet amplia a velocidade da comunicação e leva os jovens a escrever mais, fato que pode contribuir positivamente para o aperfeiçoamento da expressão. Este aparente milagre, porém, tem lá suas desvantagens, causando diversas polêmicas entre os estudiosos da língua portuguesa. Em virtude disso, é preciso dizer que Sophia jamais abusava das abreviações, e os acentos agudos nunca eram substituídos pela letra “h”. No Brasil, apenas 8,3% dos cidadãos têm acesso à rede. E o computador está disponível a somente 12,5% da população.





Rê contou sua estória às 22h08

[   ] [ envie esta mensagem ]




*****

Sua infância, vivida na cidade de Belo Horizonte, cercada pelos jardins da mansão que tinha como vista a Serra do Curral - símbolo da capital mineira - foi bastante afortunada. Aos dez anos de idade, Sophia mudou-se para Paris com os pais Armando Lázaro Kowalski e Helena Negrão de Lima Kowalski. Conheceu boa parte da Europa durante os três anos em que viveu na capital francesa. Nas férias colegiais, a menina aproveitava para se dedicar à interpretação, à pintura, ao teatro, ao piano, à literatura, e tudo o mais que lhe vinha à cabeça.

Após os três proveitosos anos na Europa, Sr. Armando decidiu retornar ao Brasil. Era necessário investir mais e, obviamente, maximizar os lucros de suas empresas. Ficaram seis meses no país. Novamente, em Belo Horizonte. Passear pela Praça da Liberdade nos finais de tarde era um programa nostálgico. Para Sophia, que priorizava os momentos sossegados, descer à rua Gonçalves Dias e avistar a Rua da Bahia a enchia de boas lembranças. Todas tiradas de algum livro sobre Fernando Sabino e os amigos Paulo Mendes Campos, Otto Lara Resende e Hélio Pellegrino, que, assim como ela, adoravam caminhar por aquelas bandas.

Ao completar quatorze anos, Sophia e seus pais mudaram-se para a cidade do sudeste da Louisiana, New Orleans. A briga entre França e Espanha pelo domínio da região nos séculos passados contribuiu para que grandes influências de ambos os países permanecessem até hoje na terra do jazz.

Agora, com dezoito anos, Sophia está de passagem pelo Brasil, enquanto se prepara para passar uma temporada em Florença, fantástica cidade da Renascença, da arte italiana e da família Médici. De porte médio, com 448 mil habitantes, mas com ares de cidade pequena, Florença é a capital da região da Toscana e, entre seus cidadãos ilustres, estão nada menos que Michelangelo, Dante Alighieri e Maquiavel. A jovem não vê a hora de conhecer a Piazza del Duomo, a Catedral de Santa Maria del Fiori, o Batistério di San Giovanni - onde o autor de A Divina Comédia foi batizado - a Piazza della Signora, o Palácio Vecchio, o Palácio Pitti e a Basílica de San Lorenzo. Para a temporada que objetiva, sobretudo, um curso de fotografia, a cidade, berço do Renascimento, será parte essencial do estudo.

Aline Pontes, criadora da personagem Sophia Negrão de Lima Kowalski, graduada pela Universidade Católica de Goiás, UCG, em administração de empresas, trabalha numa empresa de construção civil como auxiliar administrativa. E sonha em comprar um carro e um apartamento em Goiânia, onde vive com os pais João e Carmem e com os dois irmãos mais novos, Bruna e Frederico. Aline pretende economizar 1.200 reais até janeiro do ano que vem, para conhecer a cidade de Salvador ao lado de mais cinco amigos. Até o momento, ela conhece Belo Horizonte, Poços de Caldas, São José do Rio Preto, Rio de Janeiro e Brasília, onde esteve para a posse do presidente Luís Inácio Lula da Silva.

Ela reza todas as noites pelos familiares, pela cura da avó que está com câncer na bexiga e pelo futuro do país. Aline Pontes se considera uma pessoa feliz e diz que pretende se despedir de Sophia Kowalski assim que inventar uma nova personagem. “Talvez eu escreva um livro!”, adianta ela com uma esperança convincente nos olhos.





Rê contou sua estória às 22h00

[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 





Pisciana nascida no dia 15 de março. Dizem os astros que alguém assim mistura uma pitada de cada um dos onze signos anteriores. A infantilidade de áries, a sensualidade de touro, a suscetibilidade de câncer, a maleabilidade de gêmeos, a magnanimidade do leão, a acuidade de virgem, o mimetismo de libra, a sagacidade do escorpião, a benevolência de sagitário, uma certa reserva própria de capricórnio e uma tendência a desligar típica de aquário. Mas pensando bem, apesar de encontrar certa veracidade na compreensão zodiacal, é muita confusão para uma cabeça só. Tudo bem que eu possa parecer tão complexa vez ou outra, mas em geral, não sou um bicho de sete cabeças. O ar melancólico e o olhar vago já falam por si só. Nessas horas, preciso de silêncio e concentração. Nas outras, o sorriso largo e pra lá de sincero convida para um momento mais extrovertido. Para quem apreende facilmente os meus momentos, já é meio caminho andado. Não sou de lua e nem inteiramente constante. Devo estar no meio-termo, se é que isso se faz possível. Espelho-me nos meus pais, na genialidade de Drummond e Clarice, na poesia de Vinicius, na bossa de Tom, e nas pessoas que de alguma forma contribuíram para que eu fosse um pouco melhor hoje. Essa sou eu. Muito prazer! Fique à vontade, tá. Ah, meu nome? Renata! Mas pode me chamar de Rê...

06/02/2005 a 12/02/2005
30/01/2005 a 05/02/2005
23/01/2005 a 29/01/2005
16/01/2005 a 22/01/2005
26/12/2004 a 01/01/2005
19/12/2004 a 25/12/2004
12/12/2004 a 18/12/2004
21/11/2004 a 27/11/2004
14/11/2004 a 20/11/2004
07/11/2004 a 13/11/2004
17/10/2004 a 23/10/2004
10/10/2004 a 16/10/2004
03/10/2004 a 09/10/2004
26/09/2004 a 02/10/2004
19/09/2004 a 25/09/2004
12/09/2004 a 18/09/2004
05/09/2004 a 11/09/2004
29/08/2004 a 04/09/2004
22/08/2004 a 28/08/2004
15/08/2004 a 21/08/2004
08/08/2004 a 14/08/2004
01/08/2004 a 07/08/2004





A Fina Flor do Brega
Amor X Combinar
Baiana Feliz
Balanço de Dez em Dez
Bavardage
Betamania
Casa da mãe da Joana
Comédias da vida gelada
Deu a Louca no Mundo
Dígito
Esse é o blog
Eu sou assim
É duro, hein!
Gueixa Bania
Ilvia no país das maravilhas
Isso Só Acontece Comigo
Madrugada na Sala
Mafalda Crescida
Maria sai da toca
Megeras Magérrimas
Mil e Uma Utilidades
More than I hope
Nada mais de malmequer
Ninguém lê esta porcaria
Não é de sua vida
Olhando a vida de Frente
Palavras Soltas
Pequena Jornalista
Psicólogo Neurótico
Ria da minha vida
Santa pazzia!
SlothSam
Tigre
Uma Menina no Sótão
Viajando com a Shally
Villa da Lucia
Vista Da Cidade





Chez Julia

Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com