
Celebrativo, emocionante e romântico. Assim é o show do alagoano Djavan que festeja o décimo sexto trabalho de sua carreira, Vaidade. Em quase duas horas de espetáculo, o que vemos é um Djavan em movimento, extasiado e, nitidamente, feliz. Já era de se esperar. Aos 55 anos, o cantor e compositor está lançando o novo disco pela sua gravadora, a Luanda Records, um passo ousado em sua carreira, após 22 anos na Sony. No plano pessoal, sua felicidade tem nome certo: a pequena Sofia, de 2 anos e nove meses. “Ter uma filha depois de tanto tempo é uma beleza. Você vive tudo mais densamente e mais atentamente”, observa o pai coruja. Por falar nisso, Vaidade nasceu sob inspiração feminina da mulher e da filha do artista.
O disco foi pensado e preparado em mais de dois anos, em paralelo à turnê de Milagreiro. Claramente, este é um trabalho que recebeu o aval de Djavan do início ao fim. Para tanto, o pai de Max (guitarra) e João Viana (bateria) assina todas as letras, harmonias e arranjos e toca em todas as faixas, quase sempre acompanhado dos filhos, além dos músicos Renato Fonseca (piano), Serginho Carvalho (baixo) e Marcelo Martins (sax). Para quem compor é uma atividade essencialmente solitária, Vaidade deu muito trabalho. No palco, o resultado disso tudo é óbvio: Djavan está ainda mais radiante. Não por acaso, também, ele completa 28 anos de estrada nesta temporada. Estar com os olhos brilhando, portanto, é apenas conseqüência.
Com exceção das músicas “Tainá-flor” – criada para a trilha do filme Tainá 2 – e “Dorme, Sofia” – canção de ninar para a sua filha – todas as outras dez falam, de alguma forma, sobre o relacionamento amoroso. “Vaidade”, canção escolhida para dar título ao disco, é uma das cinco músicas do CD que ganharam cordas, contribuindo para a suavidade do conjunto. As outras são as canções “Se acontecer”, “Bailarina” e “Dorme, Sofia”, além do samba “Mundo vasto”. Outra música que merece ser ouvida com atenção é o sambinha “Celeuma”, que lembra os velhos sambas suingados e elegantes do artista, como Flor de lis. Ou o blues “Estátua de sal”, no qual a guitarra e o violão de aço fazem o diferencial. Ou, ainda, a romântica Bailarina: “A cada pirueta que você dá / um tom de violeta / inunda o seu bailar / fico encantado em vê-la voar / em seu grand-jeté / como eu queria ser o seu par”.
Djavan já apresentou o novo show em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Quem esteve em uma dessas apresentações sabe que o músico não está mais ou menos apaixonado, e sim como ele mesmo diz, mais feliz, muito mais feliz.
Eu estive e recomendo.
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Turnê Vaidade 2004
01/10 - Goiânia-GO - Clube da OAB
02/10 - Brasília-DF - Iate Clube
07/10 - Vitória-ES - Ginásio Álvares Cabral
09/10 - Salvador-BA - Concha Acústica
10/10 - Aracajú-SE - Espaço Emes
12/10 - Maceió-AL - Ginásio do SESI
14 e 15/10 - Recife-PE - Classic Hall
16/10 - João Pessoa-PB - Forrock