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Nosso tempo
Fui apresentada à ele no último domingo. Desde então tenho me sentido muito mais disposta, muito mais ativa. Ele é pequeno, mas a sua eficiência nada tem a ver com seu tamanho. Ontem acordei pensando nele, hoje também e amanhã não deve ser diferente. Ele tem sido um fantástico companheiro desde o dia em que o conheci. Encontrá-lo realmente era o meu desejo. Guaraná em pó, veículo óleo vegetal hidrogenado, sequestrante sulfato de cálcio, glaceantes: ácido esteárico e cera de camaúba, antiumectante dióxido de silício. É disso tudo que é feito esta oitava maravilha do mundo, minha gente. O que você pensou que fosse, cara pálida? Não, claro que não era isso. Mas pra ele que tem tirado muito do meu cansaço e me deixado acesa em frente ao computador em prol da atualização deste espaço, reservo os melhores elogios. A ele, este complexozinho enérgico, devo muito, inclusive ter tido pique para analisar as dezenas de textos e relatórios que são apresentados a mim a cada meia hora, ter finalizado a leitura de dois livros em dois dias, ter conseguido assistir ao Jornal Nacional sem pescar um segundo sequer, ter acordado às 6:15 e não ter me sentido torturada por isso e o que é melhor, ter ido pra cama às 11:30 da noite depois de tudo isso sem a sensação de ter sido atropelada por um caminhão. Pra quem estava se sentindo pior que um bicho-preguiça, encontrar pique nas dezessete horas ativas do dia foi um feito e tanto. Esse é o nosso tempo. Tempo em que ser mulher-maravilha ou super-homem é nada mais nada menos que uma questão de sobrevivência.
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Meu último fim de semana em Goiânia e Caldas Novas não teria sido tão bom se eu não tivesse desfrutado da companhia dos amigos Wárcio, Ingrid, Consuelo, Thales e Francis. Sobre as notícias de lá contarei em breve. Só não prometo, porque as várias promessas de textos ainda não foram totalmente cumpridas. Mas serão...
Rê contou sua estória às 08h10
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Mala pronta pra Goiânia
Cheguei em casa já com saudades e querendo voltar logo. A cidade de Goiânia é linda e as pessoas que lá me receberam idem. Na ida, aquilo que deixou de ser surpresa para virar constatação: tenho cara de proseadora. Um tal de Valdivino, um goiano que não se agüentava de felicidade por retornar à terra amada, alugou meus ouvidos como poucos já conseguiram. Entrei no ônibus, guardei minhas revistas e minha bolsa, pedi licença àquele senhor, acomodei-me a seu lado e lhe soltei um sorriso num gesto de agradecimento às suas boas-vindas. Eu mal podia imaginar que um senhor com cara tão boa e tranqüila fosse capaz de me tirar o sossego. Depois de um dia cheio de trabalho tudo o que eu mais queria na vida era que o sono chegasse e me fizesse dormir profundamente, minimizando o desconforto de uma viagem de treze horas. Mas o mundo não é assim tão perfeito! Valdivino não percebeu em nenhum momento que minha fala dera lugar a pequenos ruídos e palavras quase monossilábicas - em tom de protesto - do tipo: “Hummm!”, “Pois é!”, “Entendo!”, “É verdade!”, “Ãrã!”, “Tá certo!”. Enquanto Valdivino discursava com veemência sobre seu trabalho, isto é, sobre os processos de compra de equipamentos da Telemar, minha vontade de pular pela janela do ônibus crescia espantosamente. Era mais que preciso fugir da reta do tal do Valdivino e essa era a única coisa sobre a qual eu conseguia raciocinar. Após uma tentativa frustrada de parecer que eu havia caído no sono, com os olhos devidamente cerrados e o corpo imóvel, não tive mais dúvidas. Naquele momento tive apenas três idéias: amordaçá-lo, jogá-lo pela janela ou lhe faltar totalmente com a educação. Mas fiquei com pena e com medo de nunca mais conseguir a redenção após fazer mal ao velhinho. Foi então que na cidade de Luz avistei uma saída. Perdoem-me o trocadilho chinfrim, mas aquilo sim era o que podíamos chamar de “a luz no fim do túnel”. Um casalzinho jovem, reluzindo paixão de início de romance, levantou-se vagarosamente da poltrona a meu lado enquanto nos aproximávamos da rodoviária da cidade, o que me fez crer que aquele era o destino final dos mocinhos. Eu não pude me controlar - nem era o caso – e já fui logo pulando para o banco vago como se o coitado do Valdivino tivesse feito coisa ainda pior. Incômodo por incômodo, eu preferia que aquela viagem tivesse durado o dobro de horas sem o Valdivino a ter que suportar toda aquela empolgação desmedida. Pergunta: Eu mereço? Conclusão: Se tudo o que escutei for verdade, conseguir um emprego no setor de compras da Telemar não será mais difícil do que passar duas horas ao lado de Valdivino.
Rê contou sua estória às 07h15
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Pisciana nascida no dia 15 de março. Dizem os astros que alguém assim mistura uma pitada de cada um dos onze signos anteriores. A infantilidade de áries, a sensualidade de touro, a suscetibilidade de câncer, a maleabilidade de gêmeos, a magnanimidade do leão, a acuidade de virgem, o mimetismo de libra, a sagacidade do escorpião, a benevolência de sagitário, uma certa reserva própria de capricórnio e uma tendência a desligar típica de aquário. Mas pensando bem, apesar de encontrar certa veracidade na compreensão zodiacal, é muita confusão para uma cabeça só. Tudo bem que eu possa parecer tão complexa vez ou outra, mas em geral, não sou um bicho de sete cabeças. O ar melancólico e o olhar vago já falam por si só. Nessas horas, preciso de silêncio e concentração. Nas outras, o sorriso largo e pra lá de sincero convida para um momento mais extrovertido. Para quem apreende facilmente os meus momentos, já é meio caminho andado. Não sou de lua e nem inteiramente constante. Devo estar no meio-termo, se é que isso se faz possível. Espelho-me nos meus pais, na genialidade de Drummond e Clarice, na poesia de Vinicius, na bossa de Tom, e nas pessoas que de alguma forma contribuíram para que eu fosse um pouco melhor hoje. Essa sou eu. Muito prazer! Fique à vontade, tá. Ah, meu nome? Renata! Mas pode me chamar de Rê...
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