Desejo pra mim

Pois no conforme vejo,

que de repente aquele não era meu

                                             lugar,

 

não era tempo de chuva,

tampouco de dias nublados.

Mas quem ali ousava em querer

alguma natureza palpitante ou

pedir licença pra ver o sol pouco ocluso?

 

Peço a quem puder socorrer minha

                                      fraqueza,

 

que abrevie esses dias e me conceda

um rosto sem dor e sem impaciência.

Que cesse de uma vez minha culpa vã

que faça partir todos os desesperos noturnos

e terrores diurnos.

 

Que a vida é breve.

E um dia todos os versos serão perfeitos.





Rê contou sua estória às 10h19

[   ] [ envie esta mensagem ]




Um amor que se fez eterno

Texto escrito em 28 de maio de 2003.

 

Cheguei ao Galeão às 22h00 da noite de sexta-feira, 23 de maio de 2003. Deveria desembarcar no aeroporto Santos Dumont, mas por causa dos ventos intrépidos que assolavam a capital fluminense naquele dia, meu destino inicial tivera de ser alterado. A canção de Tom Jobim, relembrada no próprio Galeão, proferia que aqueles dias entrariam para meu quadro de significantes reminiscências. Minha última visita ao Rio acontecera em dezembro de 1997, ainda no século passado. As amigas Isabela Senra e Keila Vieira já estavam no apartamento da Rua Barão da Torre à minha espera. Pareceu-me estarem ainda mais jovens e animadas. O Rio tem dessas coisas. Fomos ao “Bar da Praia”. Por lá, acabamos por brindar o encontro que se tornaria histórico a nós três. A noite foi divertida, cheia de surpresas, conversas hilárias e pouco exaustivas. Lá pelas tantas da madrugada, Keila foi se embora para Ipanema e Isabela e eu seguimos rumo para o Jardim Botânico. Não podia acreditar na vista que era permitida aos meus olhos. O Cristo Redentor era quase um vizinho, de tão próximo.

 

Na manhã seguinte, depois de uma bela caminhada pela Lagoa, buscamos Keila, passeamos pelas Ruas de Ipanema, inclusive Vinicius de Moraes e Almirante Sadock de Sá, observamos o vai-e-vem das pessoas, comprei band-aids para os meus pés e lá fomos nós para a “Bienal do Livro”, no Riocentro. A tarde daquele dia, como era de se esperar, foi de um deslumbramento insuperável. Tornava-se necessário caminhar por todos os pavilhões, de modo indefinido, inspiradas pela curiosidade e excitação. Éramos três amigas tresloucadas prestes a descobrir emoções de um mundo que naquele momento se revelava bem mais tocante. Gosto de pensar que é por meio da Literatura que o mundo se entende. Perdemos o tempo de vista e nos esbaldamos com conversas, planos, gargalhadas e croissants. Ferreira Gullar viria mais tarde nos surpreender com as histórias vividas ao lado do amigo Dias Gomes. Troquei meia dúzia de palavras com o escritor e isso, amigos leitores, valeu-me por um século de bienais. Não pudemos esperar pela apresentação de Frei Betto, e às 18h15, pegamos o caminho de volta para Ipanema.


Cantávamos “Se todos fossem iguais a você” e “Chega de Saudade” ao som das ondas que se quebravam impetuosamente. Parecíamos estar em tempos mais amenos. Ao contrário do que diria Paulo Francis, a cidade - naquele segundo especificamente - jamais estivera tão maravilhosa. Paramos em um café e pedimos tortas de nozes, chocolate e morango. Keila permaneceu no local e Isabela e eu caminhamos até o apartamento do Jardim Botânico. Nada a declarar, senão os momentos de tensão vividos pelas duas incautas, perdidas em plena zona sul carioca. Não tínhamos idéia do perigo, e por isso, recordo o momento com tanta graça. Preparamo-nos, cuidadosamente, tomadas por um perceptível fio de cansaço, e horas depois, lá estávamos nós nos engraçando com taças de champanhe, num canto bastante aprazível do Hotel Marina. O que se sabe é que terminamos a noite embaladas pelas inebriantes canções dos anos 70 e 80.


“Porque hoje é ‘domingo’, desejarei escrever novamente o poema sobre o dia de hoje, sentindo a antiga perplexidade diante da palavra escrita em poesia, e, como dantes, levantar-me com medo da coisa escrita e ir olhar-me ao espelho para ver se eu era eu mesmo...” No domingo, Isabela foi ao encontro de dois amigos no Arpoador. Keila, como já se sabe, ficara recolhida no abraço de seu bem. E eu, aos pés do Cristo Redentor, cheia de emoção e inteiramente tomada pela saudade, dava por encerrada minha breve passagem pelo Rio. Só Deus sabe o quão sofrida era minha despedida.

 

Num grito de súplica e vociferação, pedi à vida que não me privasse de momentos extraordinários como aquele. Desejei, também, que aquela saudade profunda não se repetisse no peito. Sorri ao Rio e disse num tom essencialmente íntimo: “Nos veremos em breve!”





Rê contou sua estória às 07h20

[   ] [ envie esta mensagem ]


[ ver mensagens anteriores ]
 





Pisciana nascida no dia 15 de março. Dizem os astros que alguém assim mistura uma pitada de cada um dos onze signos anteriores. A infantilidade de áries, a sensualidade de touro, a suscetibilidade de câncer, a maleabilidade de gêmeos, a magnanimidade do leão, a acuidade de virgem, o mimetismo de libra, a sagacidade do escorpião, a benevolência de sagitário, uma certa reserva própria de capricórnio e uma tendência a desligar típica de aquário. Mas pensando bem, apesar de encontrar certa veracidade na compreensão zodiacal, é muita confusão para uma cabeça só. Tudo bem que eu possa parecer tão complexa vez ou outra, mas em geral, não sou um bicho de sete cabeças. O ar melancólico e o olhar vago já falam por si só. Nessas horas, preciso de silêncio e concentração. Nas outras, o sorriso largo e pra lá de sincero convida para um momento mais extrovertido. Para quem apreende facilmente os meus momentos, já é meio caminho andado. Não sou de lua e nem inteiramente constante. Devo estar no meio-termo, se é que isso se faz possível. Espelho-me nos meus pais, na genialidade de Drummond e Clarice, na poesia de Vinicius, na bossa de Tom, e nas pessoas que de alguma forma contribuíram para que eu fosse um pouco melhor hoje. Essa sou eu. Muito prazer! Fique à vontade, tá. Ah, meu nome? Renata! Mas pode me chamar de Rê...

06/02/2005 a 12/02/2005
30/01/2005 a 05/02/2005
23/01/2005 a 29/01/2005
16/01/2005 a 22/01/2005
26/12/2004 a 01/01/2005
19/12/2004 a 25/12/2004
12/12/2004 a 18/12/2004
21/11/2004 a 27/11/2004
14/11/2004 a 20/11/2004
07/11/2004 a 13/11/2004
17/10/2004 a 23/10/2004
10/10/2004 a 16/10/2004
03/10/2004 a 09/10/2004
26/09/2004 a 02/10/2004
19/09/2004 a 25/09/2004
12/09/2004 a 18/09/2004
05/09/2004 a 11/09/2004
29/08/2004 a 04/09/2004
22/08/2004 a 28/08/2004
15/08/2004 a 21/08/2004
08/08/2004 a 14/08/2004
01/08/2004 a 07/08/2004





A Fina Flor do Brega
Amor X Combinar
Baiana Feliz
Balanço de Dez em Dez
Bavardage
Betamania
Casa da mãe da Joana
Comédias da vida gelada
Deu a Louca no Mundo
Dígito
Esse é o blog
Eu sou assim
É duro, hein!
Gueixa Bania
Ilvia no país das maravilhas
Isso Só Acontece Comigo
Madrugada na Sala
Mafalda Crescida
Maria sai da toca
Megeras Magérrimas
Mil e Uma Utilidades
More than I hope
Nada mais de malmequer
Ninguém lê esta porcaria
Não é de sua vida
Olhando a vida de Frente
Palavras Soltas
Pequena Jornalista
Psicólogo Neurótico
Ria da minha vida
Santa pazzia!
SlothSam
Tigre
Uma Menina no Sótão
Viajando com a Shally
Villa da Lucia
Vista Da Cidade





Chez Julia

Weblog Commenting and Trackback by HaloScan.com