À espera de Papai Noel
Dias atrás minha sobrinha perguntou se eu já havia escrito a cartinha para o Papai Noel. Disse a ela que sim e que já havia até mandado. Ela, então, no alto dos seus cinco anos – doida pra entender tudo – queria porque queria saber o que tinha lá. Eu em contrapartida, no alto dos meus 21 anos – doida pra deixar de entender tudo – respondi que pedi a Papai Noel que me desse um pouco mais de sabedoria e astúcia. A pequena fez uma carinha tão grande de decepção que eu precisei inventar naquela hora alguma coisa menos séria. Criança quer lá saber de sabedoria? Sensibilizada, tratei de comunicá-la que na minha cartinha, além de pedir sabedoria, pedi também uma bicicleta, uma barbie e um ursinho de pelúcia. Ela se animou, soltou aquele sorriso de encher de alegria qualquer um, me deu um abraço forte e disse: “Então você me empresta sua barbie? Por favor, tia...”
Pra vocês eu posso contar a verdade. Eu ainda não fiz a minha cartinha, mas tenho pensado muito em como quero ser no próximo ano. Eu sempre penso! Fim de ano pra mim sempre foi um período pouquíssimo agradável e muitíssimo estranho. De repente, fico jururu, pensativa por demais, cheia de dúvidas. Será possível? Todo ano é a mesma ladainha e quem me conhece nem liga, pois, já sabe que Papai Noel nunca foi sinônimo de alegria. Entretanto, eu esperava que esse ano fosse diferente. Esperava ter tido ânimo pra montar uma árvore de natal bem linda, enfeitar toda a frente de casa com piscas-piscas, embrulhar mil caixas com papel de presente pra deixar debaixo da árvore, programar uma ceia bonita com pratos minuciosamente decorados, sair pra comprar os vinhos preferidos do meu pai e os presentes de quem é querido. Queria, sobretudo, ter tido ânimo para esperar o Papai Noel passar a meia-noite com a minha bicicleta, com a minha barbie, com meu ursinho de pelúcia... ou mesmo com a minha sabedoria.
Estou aqui no trabalho diante do meu computador completamente envolta a demonstrações fartas e sinceras de carinho. Na minha mesa tem um anjinho, uma caneta linda e uma graça de boneca feita de biscuit que ganhei da Tâmara, um porta-recado escolhido pelo Miguel, um outro enfeite presenteado pelo Roberto, na primeira gaveta há três cartões: um da Tati, um da Cida e um do Marquinho - um mais lindo que o outro – e um livro enviado de longe por um amigo do meu pai que sabe o quanto gosto de poemas. Na caixa de e-mails, há pelo menos umas trinta mensagens de “Feliz Natal”. É bom de vez em quando receber esses mimos. O que seria uma data pouco bem-vinda passa a ser uma época de pequenas, mas boas surpresas. Desejo a todos que gostam e que não gostam do Natal: um tempo especial para refletir, mudar o que tem de ser mudado, fazer ficar o que deu certo e ser feliz, ou pelo menos tentar... já é um bom começo. Confesso que 2004 foi bom, mas esteve aquém das minhas expectativas. Eu gostaria de ter feito um pouco mais pelas pessoas que amo e bem mais por mim. Estive confusa, intranqüila e muito séria em alguns momentos. Hoje percebo que não era pra ter feito muita coisa, que falei em momentos em que não devia ter dado um pio, que fiquei calada quando tinha de ter gritado, que chorei por coisas imbecis, que não dei importância ao que realmente teria efeito sobre a minha vida (...) Enfim, meu povo, eu errei muito mas acertei um pouco mais. Ainda assim, a balança é positiva e, por isso, valeu à pena ter feito.
Eu quero ser melhor no próximo ano.
Quer dizer, eu vou ser melhor no próximo ano.
Espero que vocês façam parte das minhas estórias enquanto esse espaço existir. Obrigada a todos que estiveram por aqui. Sou muito grata a vocês.
AMIGOS,
FELIZ NATAL.
Volto em breve,
Renata Gonçalves
Rê contou sua estória às 08h08
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